Ilha do Medo – Uma discussão sobre a loucura que salta das telas

Aviso: texto com spoilers, já que propõe um debate sobre o enredo.

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Lançado em 2010, Ilha do Medo indicava ser um filme de terror, atraindo muitos fãs do gênero e uma arrecadação de 60 milhões de dólares. Quem resolveu assistir o longa pelo clima de terror do trailer se decepcionou: a produção trata de loucura e da falta de distinção entre realidade e imaginação.

O ano é 1954. Dois agentes federais, Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Rufallo) são enviados à Shutter Island Ashecliffe Hospital, em Boston para investigar o desaparecimento da paciente Rachel Solando. Ela está em Ashecliffe por ter afogado seus três filhos em um lago e acreditar que eles ainda estão vivos.

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Embora seja a primeira vez que Teddy trabalha com Chuck, ele revela que aceitou o caso por motivos pessoais: Andrew Laeddis, o homem que matou sua esposa (Michelle Willians), foi internado em Shutter Island. Além disso, o ex-soldado desconfia que sejam realizados procedimentos cirúrgicos ilegais no local.

O filme pode não ter um final surpreendente, mas é uma ótima produção que homenageia o gênero, além de fazer referências de outros filmes do diretor. Comparem as cenas de abertura de A Ilha do Medo e Taxi Driver. A direção de arte ajuda a separar os momentos de lucidez e os momentos de alucinação. O real é construído de cores frias e altamente saturadas. Já as alucinações de Teddy possuem cores mais fortes, como o amarelo no vestido de Dolores.

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Enquanto Teddy investiga as possíveis atrocidades cometidas pelo hospital, a trama vai dando pistas sobre o desfecho. A reticência de uma das pacientes em relação à Chuck, que na verdade é Dr. Sheehan, a dualidade do Dr. John Crawley (Ben Kingsley), que ao mesmo tempo em que ajuda também mostrar ser “duro”, quando necessário, e a tensão de todas as pessoas do hospital desde o início do filme.

Depois de tantas pistas, descobrimos que Teddy é, na verdade, Andrew Laeddis e que foi ele quem matou sua esposa depois que ela assassinou os filhos do casal. O caso de desaparecimento foi forjado para uma tentativa de cura do paciente. Mas há alguns furos. Todas as pessoas da clínica foram instruídas a compactuar com a história, até mesmo os pacientes com elevado grau de loucura? Por que a enfermeira encena de forma tão convincente o papel de Rachel Solando?

Uma das últimas frases: “Você prefere viver como um monstro ou morrer como um homem bom?”, pode explicar tudo ou causar ainda mais dúvidas. Laeddis aceita a sua condição de louco, mas prefere fingir que ainda acredita ser um detetive simplesmente para ser lobotomizado e esquecer o horror dos assassinatos?  O método realmente não funcionou e Laeddis continua louco? Ou realmente a Shutter Island é um lugar terrível e conseguiu transformar um detetive renomado em um louco incontestável?

Essa é a levada principal do filme: muito mais que se propor a ser um filme de terror ou um suspense genial, Ilha do Medo – mesmo que alguns fiquem desapontados – quebra a barreira entre filme e realidade e transpõe a loucura dos personagens para os espectadores, gerando uma dúvida eterna: Ele realmente era louco ou foi enlouquecido? Por mais evidências que apontem para a primeira opção, esta é uma questão que não sei responder.

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Mood Romântico

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Em 12 de junho, os brasileiros celebram o Dia dos Namorados. Com todo o romantismo que a data exige, preparamos um Top 5 especial, de músicas nacionais para você curtir o dia com o seu amor.

  • Silva: Feliz e Ponto

Feliz e ponto” é uma das faixas do álbum “Júpiter”, de 2016. No clipe, Silva responde de maneira artística, a sua sempre questionada sexualidade: as cenas de romance representam o cantor com um homem e uma mulher, em uma floresta do Espírito Santo. Para ele, o amor deve ser natural e fluído, vivenciado de acordo com seus desejos.

https://www.youtube.com/watch?v=l-rpWQId_-g

  • Nando Reis: All Star

A composição de Nando Reis é uma homenagem à cantora Cássia Eller, que morava no 12º andar de um prédio no Bairro das Laranjeiras e usava tênis All Star. Embora fale sobre um amor entre amigos, a canção virou tema de muitos casais.

https://www.youtube.com/watch?v=C4HeeSug3J8

  • Natiruts: Você me encantou demais

Gravada originalmente em 2010, a música “Você me encantou demais” ganhou versão acústica no DVD ao vivo “Acústico Rio de Janeiro”. Com a linda paisagem do Mirante Dona Marta, a canção fala sobre um amor que descompassa, encanta, e que deve ser protegido.

https://www.youtube.com/watch?v=Z3E60Fc0b6o

  • Tiago Iorc: Amei te ver

O mais novo queridinho da música brasileira, Tiago Iorc poderia ter uma lista só dele. Com álbuns repletos de músicas apaixonadas, o cantor costuma ceder o palco de seus shows para declarações de amor e até pedidos de casamento. Aqui, escolhemos “Amei te ver”, que ajudou a popularizar o músico.

https://www.youtube.com/watch?v=W62-ZG9tPpI

  • Los Hermanos – Último Romance

Para nosso Top Top, selecionamos a música que mais legenda fotos no Instagram e Facebook nos últimos tempos. “Último Romance” tem uma letra delicada, com arranjo intenso e virou hino de quem está apaixonado.

https://www.youtube.com/watch?v=hvbuYbwrpxc

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Entre as estantes e a web

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Entre os anos de 2010 e 2011, o comércio eletrônico movimentou US$ 25 Bilhões no Brasil. Segundo Pesquisa Realizada pelo Fecomercio/RJ em novembro do ano passado, o número de consumidores que fazem compras online, passou de 13% em 2007, para 20% em 2011. Entre os produtos mais adquiridos estão os livros, item de desejo de 16% dos consumidores.

Sites como o Submarino.com, chegam a oferecer mais de 50% de desconto em diversas obras e permitem que o cliente parcele suas compras em até 12 vezes sem juros. As ofertas tendem a seduzir um novo perfil de consumidor, cada vez mais acomodado e sem tempo de ir às livrarias. Mas apesar dos dados apontados pelas pesquisas, nem todos os livreiros se sentem prejudicados com o avanço das vendas feitas pela internet.

 

Paixão que virou negócio

A paixão de Edílson Júpiter pelos livros se transformou em negócio e há mais de 20 anos ele mantém uma livraria no Edifício Maletta. Para ele, a interferência da internet sobre sua loja é muita pequena. “Também conseguimos descontos para os clientes e os mesmos cartões que as pessoas usam na internet podem ser usados aqui na loja”, afirma. Edílson aponta que a sua livraria está sendo prejudicada por outros fatores, como a escada rolante do prédio, que há cinco anos parou de funcionar. “Com a falta da escada rolante perdemos dois mercados substanciosos, o de idosos e o de deficientes”, lamenta.

Para Maria Franciele, que há cinco anos comanda a Livraria e Sebo União, a web não atrapalha, muito pelo contrário. “Quando alguns sites fazem saldões de livros novos eu compro vários e deixo e em estoque. Isso é muito bom para a gente!”. A empresária também possui uma página na internet onde comercializa livros, mas garante que a venda online se equipara à da loja. “Às vezes as pessoas encontram preços baixos na internet, mas é no sebo que estão as edições raras”.

Raridades

E foi justamente uma dessas raridades encontradas nos sebos que encantou o estudante de biologia Bruno Oliveira. “Uma vez achei um livro que era raridade (Contato, de Carl Sagan). Até então só o tinha visto uma vez na internet, usado, e caro”. Ele afirma que, embora a internet tenha vantagens como parcelamento e preços, os sebos têm uma variedade que não encontrada em nenhum outro lugar.

Vandevaldo de Mujon, dono da Gan Livraria, acredita que os sebos realmente não estão sendo prejudicados pela internet, justamente por venderem livros usados e, muitas vezes, difíceis de serem encontrados. “O problema é com que vende livros novos”. Mujon, que vende só livros didáticos e profissionais, vê a internet como um ambiente ocioso para o novo tipo de consumidor, acomodado e sem tempo. “Antes, os estudantes tinham interesse em vir à livraria. Hoje, com o nome da obra em mãos, eles pesquisam pelo pacote que ofereça mais livros por um preço menor”, reflete. Para ele, o livreiro nunca vai acabar, mas é preciso ter um diferencial. “Eu aceito cheque e procuro sempre dar um desconto entre 15% e 20%, principalmente para os clientes mais fiéis.”

Vizinho de Mujon no mesmo corredor do Maletta, Rogério Andrade tem uma opinião diferente sobre a atual situação dos livreiros. “Minhas vendas não caíram, mas também tive que passar a negociar pela internet. É preciso acompanhar o mercado”, assinala. Ele também trabalha com livros especializados, mas, ao contrário do colega, vende só usados e orgulha-se ao dizer que não perde mercado para grandes livrarias. “Vendo muitos livros raros e já fui até homenageado por uma faculdade”, enfatiza o livreiro que tem experiência no ramo de quase 40 anos.

Espaço para todos

Apesar da “briga” por mercado em um país que ainda carece de incentivo à leitura, parece existir espaço para todo mundo. A técnica em química, Nathália Ferry, por exemplo, prefere as livrarias de rua. “Só compro online se for pedir vários livros, mas no geral, opto pela livraria física, com a vantagem de não ter frete”, comenta.

Atualmente, existem no Brasil cerca de 2.700 livrarias, uma para cada 70 mil habitantes, bem abaixo do número recomendado pelas Organizações das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO): uma livraria para cada 10 mil habitantes. O número de livros que o brasileiro lê por ano também é baixo, apenas 4,7. Ainda é preciso criar novos hábitos nos brasileiros. Enquanto isso, os aficionados por livros demonstram seu respeito a quem faz do livro um meio de sobrevivência.  Bruno Oliveira é firme em sua convicção: “Os sebos não vão desaparecer. O motivo é simples: Necessidade. algumas coisas só são, e sempre serão, encontradas em sebos.”

**Matéria publicada originalmente no Jornal Identidade – Projeto do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, em 2012.

 

O Abutre: uma análise da mídia sangrenta.

o abutreImparcialidade. Neutralidade. Distanciamento.

Em quatro anos de faculdade, os futuros jornalistas discutem profundamente esses conceitos e muitos, após formados, buscam diariamente exercê-los em sua profissão.

No filme O Abutre (Nightcrawler, 2014), primeiro filme dirigido por Dan Gilroy, acompanhamos o jovem Lou Bloom (Jake Gyllenhaal) que troca a vida de pequenos furtos por uma carreira mórbida: a venda de vídeos de acidentes, assassinatos e outros crimes para uma rede de telejornais.

Impulsionado por noites de estudo na internet, Lou ambiciona chegar longe na cerreira e começa a entregar vídeos cada vez mais invasivos e violentos e chega, até mesmo, a fazer intervenções na cena de um acidente para conseguir um quadro melhor e provocar a morte de concorrentes.

Em uma interpretação fantástica de Gyllenhall, Blou troca o distanciamento do fato noticiado pelo distanciamento das pessoas. Com seu olhar frio, quase psicótico, ele passa por cima de tudo para alcançar o seu grande objetivo: seduzir o público por meio de imagens chocantes e, obviamente, ganhar dinheiro com isso, chegando até o topo.

Uma crítica forte aos telejornais que exibem todo tipo de imagens para conquistar uma audiência cada vez mais sangrenta, O Abutre nos faz enxergar as brechas abertas no código de ética dos jornalistas, que permite pequenos desvios “morais” se a notícia for de interesse geral.

Mas até onde é possível ir sem expor vítimas, criar histórias inexistentes e substituir o real – se é que existe o real – pela fantasia? Vale a reflexão.

Três vezes Lolita

Vladimir Nabokov começou a escrever o seu romance em 1949. Antes, porém, de publicar o famoso “Lolita”, o autor já havia escrito um conto sobre um homem russo e uma garota francesa, em 1940, mas o destruiu. O polêmico romance entre Humbert Humbert, um homem de meia-idade, e Dolores Haze, uma garota de 12 anos, foi rejeitado por diversas editoras e só foi publicado em 1955, por uma editora francesa. Apenas três anos depois, em 1958, o livro foi impresso nos Estados Unidos. Em alguns países europeus chegou a ser banido, mas por pouco tempo, já que o livro logo se tornou um sucesso.

Depois de se divorciar, Humbert, um escritor e professor francês, muda-se para os Estados Unidos. Depois de alguns problemas, acaba por alugar um quarto na casa da Sra. Haze, onde conhece Lolita. Humbert apaixona-se imediatamente pela menina e até aceita se casar com sua mãe para se manter por perto. Após a morte da Sra. Haze, Lolita e Mr. Humbert partem numa viagem pelo país ao mesmo tempo em que começam uma complexa relação que mistura características de amantes e pai e filha.

1967Não demorou para que “Lolita” ganhasse uma adaptação para o cinema. Em 1962, Stanley Kubrick driblou a censura e deu sua versão para o romance. As conotações sexuais, entretanto, eram apenas sutis. Apesar da sutileza, várias cenas ganharam forte carga erótica, como quando Humbert (James Mason) pinta as unhas dos pés de Lolita (Sue Lyon). Diferente da obra original, aqui a pequena Dolores não tem 12 anos, mas 14, para atenuar o choque do ato pedófilo. Mesmo sem cenas explicitamente sexuais, o filme foi bastante ousado para a época.

Em 1997 foi a vez de Adrian Lyne realizar a sua versão do romance. Desta vez, as cenas de sexo eram bem mais explicitas e todo o filme ganha uma atmosférica mais poética. Além disso, usa mais detalhes do roteiro original. Na versão de 1997, por exemplo, é citado o romance de Humbert com Annabel, diferente do filme dirigido por Kubrick. Outro detalhe interessante a atuação de Jeremy Irons, que dá vida a um Humbert completamente apaixonado e totalmente transparente em demonstrar sua felicidade ao estar com a jovem Lolita (Dominique Swain). Entretanto, a atriz de 15 anos que vive a ninfeta encena alguns momentos quase forçados. Tenta dar muitos traços infantis à personagem (como o modo desengonçado de correr) e fica bem 1997longe da elegante, mimada e cínica Lolita de Sue Lyon.

Embora ambas as versões para o cinema tenham seus lados positivos, nenhuma consegue superar o encanto e o choque da Lolita original de Nabokov. No livro é possível passear pela mente de Humbert Humbert e visualizar sua intensa paixão por garotinhas. Os longas deixam a impressão de que a paixão de Humbert se concentra apenas em Lolita, por sua personalidade e beleza. Mas o que se vê nas páginas é a mente de um homem maduro que não consegue gostar das mulheres de sua idade. Humbert deixa claro, inclusive, que seu casamento com Valéria acabou porque não conseguia se sentir atraído pelo seu corpo de mulher.

Até começar sua paixão (e depois, obsessão) por Lolita, o professor vive outros romances com várias ninfetas. Os filmes ganham pela sensaçãoprovocada pelas imagens. O livro, pela riqueza de detalhes e a tentativa de nos fazer entender o quê, afinal, que mal há nesse tipo de romance.

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Tia Júlia e o Escrevinhador (Marios Vargas Llosa): Várias histórias em uma

colec3a7c3a3o-da-folhaImagine-se apaixonado pela própria tia. Pode parecer uma relação complexa, mas é oque acontece em “Tia Júlia e o Escrevinhador”, obra do escritor peruano premiado com o Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa.

O livro, inspirado em fatos ocorridos com o autor, conta a história de Mário, rapaz de 18 anos que estuda direito e trabalha na Rádio Panamericana escrevendo notas para o noticiário exibido de hora em hora.

Seus patrões, Genaro Pai e Genaro Filho, resolvem contratar um dramaturgo boliviano, Pedro Camacho, para escrever novas radionovelas, substituindo as que eram compradas de rádios estrangeiras.

Pedro logo torna-se amigo de Mário, que também deseja trabalhar cm a escrita. Entra uma nota e outra, Mário acaba se envolvendo com Júlia, cunhada de seu tio, logo, sua tia de consideração, e os dois se apaixonam, mantendo um namoro secreto.

Entre os capítulos sobre a ‘verdadeira história do livro’, o leitor tem a oportunidade de conhecer e mergulhar nos dramalhões dos folhetins radiofônicos produzidas por Camacho.

Vargas Llosa sabe dosar o estilo para que possamos acompanhar não apenas a história do casal improvável, mas também os enredos que lideram a audiência radiofônica em Lima.

“Tia Júlia e o Escrevinhador” é um romance que retrata uma época de transições, onde os costumes estavam mudando, bem como as pessoas e valores vigentes. Acompanhar esse momento sob o estilo totalmente latino de Mario Vargas Llosa é, no mínimo, empolgante.

Prepare-se para, além de acompanhar um romance sem finais épicos e melosos, conhecer um rapaz apaixonado pela irmã, uma menina comida por ratos, uma criança problemática com dons musicais e vários outros personagens que acabam se confundindo nas diversas histórias contidas na trama. Vai perder?

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Um dia (David Nichols / Lone Scherfig)

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“Se eu pudesse te dar um presente, te daria confiança. Confiança ou velas perfumadas.”

“Um Dia” parece uma história de amor. Mas apenas parece. Na verdade, “Um Dia” fala sobre o

tempo e a forma como ele pode ser cruel.

Emma Morley, vivida nas telas por Anne Hathaway, e Dexter Mayhew, interpretado por Jim

Strugges, estudaram na mesma faculdade, mas nunca se falaram. No dia 15 de julho de 1988,

depois da noite formatura, os dois se conhecem melhor e passam a noite juntos, sem sexo,

com a promessa de se encontrarem no dia seguinte. A partir daí, vislumbramos a vida de

ambos em apenas um dia do ano, sempre 15 de julho.

Durante os vinte anos que se passam na trama, somos apresentados a uma Emma insegura,

que não acredita em sua própria capacidade. Embora queira se tornar uma grande escritora,

vira garçonete de um restaurante mexicano. Sem sucesso profissional, Emma também não

consegue muita coisa na vida afetiva. Enquanto isso, Dexter vai trabalhar na TV, sai com várias

mulheres e segue a linha “sexo, drogas e rock’n’roll”.

Apesar da diferença de estilos, Em e Dex, como gostam de se chamar, continuam sendo

amigos. Os melhores amigos! Mas tentem o tempo todo ocultar a tensão sexual e sentimental

que existe entre os dois, para que isso não estrague a amizade.

“Um Dia” nos mostra a complexidade dessa beleza e dificuldade de nossas escolhas. Retrata

o período difícil de nossas vidas quando já estamos formados, mas permanecemos perdidos.

Mostra, também, o quanto perdemos tempo em nossa vida buscando uma felicidade

completa, quando, na verdade, ser feliz está aí, na sua cara. Diria que é quase impossível

terminar “Um Dia” e não ficar dias pensando sobre tudo o que o livro diz.

David Nichols fez um trabalho incrível no livro. As primeiras páginas são um pouco mornas,

mas depois o livro e devorado! A adaptação para o cinema, entretanto, deixou a desejar. É

difícil captar no filme o sentimento devotado de Em e Dex. A cumplicidade, as brigas, as cartas

trocadas ao longo dos anos, a sensação concreta de fracasso. Além disso, a Emma de Lone

Scherfig é perfeita demais: quer mudar o mundo, lê insanamente, pensa primeiro nos outros.

A Emma de Nichols, mesmo que pareça ‘certinha’ na maior parte do tempo, comete lá os seus

deslizes.

Dexter também possui características diferentes: no livro ele é mais canalha, mais bêbado,

mais drogado, mais egocêntrico, mas mesmo assim, mais apaixonante.

Para quem não leu “Um Dia”, o filme pode ser maravilhoso. Mas para quem conheceu Em

e Dex através das páginas, o filme é apenas uma adaptação simpática, um tanto distante da

história que traça o perfil de uma geração perdida em seus próprios desejos e sonhos.

Menina do Tempo

Grupo responsável pela concretização de “A Menina do Tempo”: Giovanna Bianchini, Delvan Souza, Daniel Medina e Teiciany Fontes (acima). Camila Velasquez e Fernanda Mamede (segunda fila).

 

Desconhecida da humanidade, existe uma sala repleta de relógios que representam o tempo de vida dos seres vivos. E durante aproximadamente mil anos terráqueos, uma boneca de vidro com aparência de menina trabalha sozinha cuidando desses relógios. Após esse período, a garota é levada para a Terra, onde pode conhecer exemplares dos seres que ela cuidava. Mas quando chega o momento de 10H visitar a Terra, o que a aguarda está muito além do que qualquer outra menina havia visto: o mundo dos humanos. (Sinopse de Menina do Tempo)

Giovanna Binchini, Delvan Souza e Camila Velasquez  se conheceram no curso de Cinema de Animação e Artes Digitais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em uma aula de Animação de Personagem, Delvan começou a criar um personagem (a Carttier) e, após pitacos das duas meninas o desenho foi crescendo e nasceu a ideia de se fazer uma história em quadrinhos.

Com a ideia na cabeça e os traços sendo colocados no papel, um professor criou uma grupo de estudos que tinha como objetivo produzir alguma coisa para ser lançada no Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), que mobiliza uma galera em Belo Horizonte e é realizado de dois em dois anos.

O objetivo de estrear no FIQ foi um propulsor para o projeto: primeiro, os artistas tiveram que “enxugar” um pouco o roteiro para entregar um name (rascunho) até o mês de julho (O FIQ aconteceu em novembro).  “Foi bem difícil no começo. Não conseguíamos diminuir o roteiro, então resolvi fazer o rascunho sem ele, o que vejo como um erro. Em julho, ainda não tínhamos o name, mas decidimos que o Delvan devia começar a desenhar mesmo assim. Ele se sacrificou muito para fazer isso tudo, mas, com a terceirização de alguns detalhes das páginas e após perder muitas noites de sono, conseguimos!”, relata Giovanna.

 

Ao final do projeto, o trio se transformou em dupla: Delvan e Giovana, que se inspiraram em mangás e em referências de steam punk para idealizar a Menina do Tempo. Apesar da “equipe” pequena, a grandiosidade da história e o aperto nos prazos exigiram uma ajuda extra: ao todo, foram cerca de seis pessoas envolvidas.

Todo o esforço deu certo: no mês de novembro, o primeiro volume do Menina do Tempo foi lançado com sucesso no FIQ.  E vem continuação por aí. “Já tenho o argumento definido e o Delvan já fez o design das duas guardiãs que aparecem na história. Pretendo começar a escrever o roteiro em breve. Atendendo a pedidos dos leitores, algumas coisas serão explicadas mais profundamente”, explica Giovanna. “Antes mesmo de concluirmos o primeiro volume já planejávamos que seria um projeto em dois volumes. Os volumes são independente um do outro, mas a leitura do primeiro ajudará a entender melhor o segundo”, completa.

A HQ pode ser encontrada em eventos do gênero, na mesa do Grupo Crânio. Quem quiser, também pode adquirir ser exemplar através do e-mail  qhici@hotmail.com ou giovanna_sibi@hotmail.com.

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[Especial Oscar] A grande beleza (2013)

Algumas pessoas costumam dividir o cinema em duas categorias: a de entretenimento e a de arte.

Os filmes de entretenimento, basicamente nos divertem, sem maiores preocupações estéticas e/ou filosóficas. Enquanto os filmes artísticos possuem aquilo que Walter Benjamin chama de aura da obra, que transforma o filme em uma obra arte com uma essência própria. Em alguns casos, essas produções também passam alguma lição aos espectadores e fazem críticas a certos comportamentos / épocas / atitudes / etc. [Lembrando que esses conceitos não são dogmas e que um filme pode ser ambas as coisas]

Dito isto, posso começar meu texto sobre o filme “A Grande Beleza” (La Grande Bellezza, 2013), dirigido por Paolo Sorrentino (Aqui é o meu Lugar). O longa – favorito a categoria de melhor filme estrangeiro do Oscar – conta a história de Jap Gambardella (Toni Servillo), um jornalista que reflete sobre a sua vida, passada em Roma.

Desde o sucesso estrondoso de seu único livro publicado, O Aparelho Humano, ele nunca mais conseguiu concluir outro livro. Sua vida, então, se passa entre as festas da alta sociedade e os privilégios da sua fama. Porém, ao se lembrar de um amor da juventude, ele acredita que chegou a hora de voltar a escrever.

O filme tem algumas cenas bastante interessantes, como a dos ‘velhinhos’ na boate dançando a todo vapor, ou a que Jep bate de frente todas às críticas de uma amiga interessada apenas em desmerecer a carreira e a vida do jornalista. Vale destacar também o momento em que uma festa inteira para pra ver uma garotinha pintar um quadro abstrato, contra a própria vontade. Mas são apenas cenas. No conjunto, elas não ajudam a contar uma história.

Parece que Sorrentino se perdeu em meio às críticas do grande mundo das belas artes – que são excelentes, aliás – e esqueceu que o seu próprio filme é um produto que, além de ser admirado pela beleza dos detalhes, deve também ser divertido.

Após quase três horas – que pareceram intermináveis – “A Grande Beleza” se mostra uma mosaico de momentos bonitos, mas que foram apenas sendo lançados na tela, sem uma preocupação maior de fazer sentido, ou, ainda pior, sem se preocupar com o prazer do espectador que dedicou seu tempo a dita “obra de arte”.

Não se esqueça de deixar o seu comentário. O seu retorno é muito importante.

Para ler outros textos sobre os filmes indicados ao Oscar, clique na tag #IndicadosAoOscar2014.

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Jogo de Cena – Eduardo Coutinho

A homenagem tarda, mas não falha.

No domingo (02/02), o cinema brasileiro perdeu um de seus grandes nomes: Eduardo Coutinho.

Para quem não conhece a sua obra, deixo aqui um documentário que gosto muito – Jogo de Cena.

A pessoa se foi, mas a sua obra fica marcada na história para sempre 🙂

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